The Wild Substance

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One of this days I sat in the stairs of my flat feeling the breath of the summer breeze dance through the wet skin, the curls soaked in water, the sunset gleaming on the opposite side of the wall, like a paint, a wild canvas touched by the ochre light, and I realised that I have been writing these chronicles for 9 months – this is actually the chronicle number 25. Perhaps they have become a beautiful baby. While I was holding this thought an Irish man that was carrying his blue eyed baby and sharing the butcher marquees with me at Portobello Road this morning said “all of them look beautiful, until they wake you up at 6am”. This could explain the reason behind, after all these texts written, I have been waking up questioning myself why did I write them and why do I keep on writing them, until when something about the wild woman substance blinked in the air and answered me. This is what I will try to explain to you here, but for that, I will need Mimi.

I found her a little bit in, a little bit out, reflected in people all around. Mimi is the protagonist of the swallowed voice in another story that I am working on called “A Woman With Nothing to Tell”. Mimi constantly falls down into nothingness. In the beginning, when she was becoming a woman, she thought she was too young. She didn’t have the courage to say things because she thought was not good as the older people were. She also silenced what her body had to say because she thought she didn’t have a nice one as the other girls. At university, she thought she couldn’t be smart as them… the others, and after that, when she met lots of artists that fascinated her because for years she had been creating beautiful crafts, she felt she wasn’t as cool as they were – next she silenced the artist that lived inside her. 

Mimi chooses for her life what seems to be easier – to mute her voice and to believe that she has nothing interesting to offer to the world. In the end, she makes an unhappy deal with life. It was the idea that someone could have nothing to tell to the world that made me glimpse the substance of the wild woman archetype and the cries of my new baby born. When Mimi swallows her expression she runs away from the wild life under her skin, but what she doesn’t understand is that she can’t run away from the substance that lives within. The wild blood that have had always been there. Her story made me think of when I published the very first chronicle of these series: I testimoned the wilderness of the moonlit territories in me finally getting out. And I felt more alive than ever not because of the nectar scattered through the pages, but simply because there was something being expressed.

Every time that I write the same feeling comes back – it is precisely what makes me find the wild woman that is so easy to loose in a culture that domesticates its existence. And that is why I write, and that is why I keep on writing. Now, what about you? What makes you find her? What is the wild substance for you? For Mimi, and for me, it is when we have the courage to acknowledge that we actually have a lot to say to the world. That no life is a blank page. That we all got our stories to tell. That is how I am completing chronicle 25th, looking forward to raise this beautiful baby into the wild. There will be plenty inspirational moments to do that, like watching the sunset in the walls of my flat form the substance of what is so easy to be forgotten – a canvas of eternity.

Julia Albertoni

*Image: Vogue, May 1935.  Bibliothèque nationale de France, département Littérature et art, ark:/12148/bpt6k6542643z

The Chronicles of a Wild Woman were born from the coincidence of the leaves, the dreams and the soul writers. If you want to follow the words that follow instinct, the texts are published in Portuguese and English twice per month. Read more here and subscribe to my mailing list to receive them in your inbox 


A Substância Selvagem

Um dia desses sentei nas escadas do meu apartamento, sentindo o bafo da brisa de verão dançar pela pele molhada, os cachos ensopados de água, o pôr do sol brilhando do outro lado da parede, como uma pintura, uma tela selvagem tocada pela luz ocre, e eu me dei conta que eu tenho escrito estas crônicas por 9 meses – essa é na verdade a crônica de número 25. Talvez elas se tornaram um belo bebe. Enquanto eu pensava sobre isso hoje de manhã, um irlandês que segurava seu bebe de olhos azulados e dividia a marquise do açougue na Portobello Road me disse “todos eles são lindos até te acordarem as 6 da manhã”. Isso poderia explicar a razão por trás, depois de todos esses textos escritos, eu ter acordado me questionando porque eu escrevi eles e porque eu continuo a os escrever, até que alguma coisa sobre a substância da mulher selvagem piscar no ar e me responder. Isso é o que eu vou tentar te explicar aqui, mas para tanto, eu vou precisar de Mimi.

Eu a encontrei um pouco dentro, um pouco fora, refletida nas pessoas ao redor. Mimi é a protagonista da voz engolida em outra história que eu tenho escrito chamada “Uma Mulher Com Nada Para Contar”. Mimi constantemente cai na ideia de que ela é nada. No começo, quando ela se tornava uma mulher, ela achava que ela era muito nova. Ela não tinha a coragem de falar coisas porque ela pensava não ser boa como as pessoas mais velhas eram. Ela também silenciou o que seu corpo queria dizer porque pensava que ela não tinha um corpo tão legal quanto as outras garotas. Na universidade, ela pensou que não poderia ser esperta como eles… os outros, e depois daquilo, quando ela encontrou vários artistas que a fascinaram porque por anos ela criava lindos artesanatos, ela sentiu que não era descolada como eles – na sequencia ela silenciou a artista dentro dela vivia.

Mimi escolhe para sua vida o que parece ser mais fácil – emudecer sua voz e acreditar que ela não tem nada interessante para oferecer para o mundo. No fim das contas, ela faz um pacto infeliz com a vida. Foi a ideia que de que alguém pode não ter nada a dizer para o mundo que me fez vislumbrar a substância do arquétipo da mulher selvagem e os choros do meu novo bebe recém nascido. Quando Mimi engole sua expressão ela hoje da vida selvagem debaixo da sua pele, mas o que ela não entende é que ela não pode fugir da substância que vive dentro. O sangue selvagem que sempre esteve ali. Sua história me fez pensar de quando eu publiquei a primeira crônica dessa série: eu testemunhei o selvático dos territórios iluminados pela lua dentro de mim finalmente saindo para fora. E eu me senti mais viva do que nunca não só por causa do nectar esparramado pelas páginas, mas por causa que havia algo sendo expresso.

Toda vez que eu escrevo o mesmo sentimento volta – e é precisamente o que me faz reencontrar a mulher selvagem que é tão fácil de perder numa cultura que domestica sua existência. E é por isso que eu escrevo, e é por isso que eu continuo escrevendo. Agora, e você? O que te faz a encontrar? Qual é a substância selvagem para ti? Para Mimi e para mim é quando nós temos coragem de reconhecer que na verdade nós temos muito o que dizer para o mundo. Que nenhuma vida é uma página em branco. Que todos nós temos histórias para contar. É assim que eu estou completando a 25º crônica, na expectava de criar esse lindo bebe numa selva de espontaneidade. Haverão muitos momentos de inspiração para fazer isso, como assistir o por do sol nas paredes do meu apartamento formar a substância do que é tão fácil de ser esquecido – uma tela de eternidade.

Julia Albertoni

➳ Image: Vogue, May 1935.  Bibliothèque nationale de France, département Littérature et art

As Crônicas De Uma Mulher Selvagem nasceram da coincidência das folhas, dos sonhos e da potência das escritoras da alma. Se você quer acompanhar as palavras que seguem o instinto, os textos são publicados em Português e Inglês duas vezes por mês aqui. Saiba mais sobre elas aqui e assine minha lista de e-mails para receber elas no seu inbox 

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