The Wonder Memory

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There are memories in all of us. However one of this days I experienced the reminiscence of a new type of memory. Do you know the amazement when we feel something for the first time? It danced the music of the universe in my head, connecting myself to the planet earth in the most sensible and delusional way. I remembered the plants. 

Sitting in my couch here in London I watched a video of a place in Rio Grande do Sul, Brazil, an area that I lived for over a year. The video was very simple: quite still and silent, it showed a buddhist ceremony in which a little bon fire burned dry branches to form a beautiful dense smoke that flew towards the sky. Although the smoke was very magical, were the big araucaria trees and emerald bushes in the background that got my attention. I remembered something looking at them. It was the familiar feeling of memory that I couldn’t describe in words and that it wasn’t coming from the place in the video that I have certainly been; it was oddly coming from the plants – like the forest could communicate with me, carrying memory bits of my own past.

And then I forgot about it and kept on living my day to day life, until another random moment came. This time I was watching some perfectly curated videos of a travel blogger that was in a beautiful resort. The feeling came back. It was like she was showing me a place that I had been, even though I simply hadn’t – I have never been in a chic European resort in my entire life. But the plants in the gardens where she was were so familiar that they gave me again the sensation that I understood the place, I knew its secrets, secrets that I couldn’t rationalise because they were coming through the screen and to my skin. At the end of the video, the blogger tagged the location where she was. For my flicker surprise, it was a city close to the one I have lived for half a year, in Italy.

How is it possible that the natural aspects of a landscape provoke a memory? I asked myself, perplexed, as I watched videos from the other two cities that I have lived in my life, realising that they also awaken in me the same feeling. And while I was passionately discussing the subject with my partner, crossing Ravenscourt Park by bicycle – wondering that if one day I move out from London, would I feel the reminiscence of the Platanus that I so much adore? – I remembered when I went to Kew Gardens last winter. There weren’t so many flowers in the spaces of the royal botanical gardens in that occasion; the trees were almost all dry, like spooky versions of themselves, the green was dark and muddy, the air was cold and constantly cracking my lips, but when I opened the massively huge door of the Palm House, a hot puff air gently embraced me and the big green leafs of multiple species coloured my vision. I took out my coat, closed my eyes, and there I felt – the smell and the air – for a split second, I was back in Brazil, walking through the beach trail close to my old house in one of the hottest summer days of the island of Santa Catarina.

But no, that couldn’t be… I was just inside a glass house from 1844 in South West London where plants from all over America and Africa are cultivated for scientific purposes. There is something about this feeling that can transport yourself to other places though, leaving behind the sensation that life is an illusion, so easy to dream about. Was that the answer to my question then? The memories that the plants have been awakening inside me are just an illusion? Reality is but a dream?

I don’t think so. There is always something more to be understood. And while was writing this chronicle insisting in finding meaning, Allan Watts kind of whispered in my ears, “we do not come into this world; we come out of it, as the leaves from a tree”. And so it hit me. Many of us live in a culture that separates nature in order to conquer it, ignoring the interdependence of things and events. All these places, rocks, sand, dust, air, roots, sun, trees, plants, leaves, flowers and green reminiscences are not just able to awaken a memory within us – provoking the illusion – they are the memory, like extensions of our own mind. The world beyond our skin may be just the continuation of us and therefore there can be memories floating everywhere. And even if I try I can’t find more meaning for this possibility – apart perhaps from poetry, magic and wonder.

J.P.A.

*Image: Vogue, May 1935.  Bibliothèque nationale de France, département Littérature et art, ark:/12148/bpt6k6542643z

The Chronicles of a Wild Woman were born from the coincidence of the leaves, the dreams and the soul writers. If you want to follow the words that follow instinct, the texts are published in Portuguese and English twice per month. Read more here and subscribe to my mailing list to receive them in your inbox 


Uma Memória Abstrata

Há memórias em todos nós. No entanto um dia desses eu experienciei a reminiscência de um novo tipo de memória. Você sabe o espanto quando sentimos algo pela primeira vez? A nova memória dançou a música do universo na minha cabeça, conectando-me ao planeta terra na mais sensível e delirante maneira. Eu me lembrei das plantas.

Sentada no meu sofá em Londres eu assisti a um vídeo de um lugar no Rio Grande do Sul, uma área que eu vivi por mais de um ano. O vídeo era muito simples: calmo e silencioso, mostrava uma cerimônia budista na qual uma pequena fogueira queimava galhos secos formando uma densa fumaça que subia em direção ao céu. Apesar da fumaça ser muito mágica, foram as grandes árvores de araucária e os arbustos esmeralda no fundo do vídeo que prenderam minha atenção. Eu lembrei algo olhando para eles. Era uma sensação familiar, de memória que eu não conseguia descrever com palavras e que não estava vindo do lugar no vídeo que eu já havia estado; estava estranhamente vindo das plantas – como se a floresta pudesse se comunicar comigo, carregando pedaços de memória do meu passado.

E então eu esqueci disso e continuei vivendo minha vida até que um outro momento aleatório veio. Dessa vez eu estava assistindo alguns vídeos perfeitamente curados por uma blogueira de viagens que estava em um resort lindo. A sensação voltou. Era como se ela estivesse me mostrando um lugar que eu já estive, mesmo que isso simplesmente não era verdade – eu nunca estive num chique resort Europeu em toda minha vida. Mas as plantas nos jardins onde ela estava eram tão familiares que elas me trouxeram novamente a sensação que eu entendia o lugar, eu sabia seus segredos, segredos que eu não podia racionalizar porque eles estavam saindo da tela para minha pele. No final do video, a blogueira marcou o lugar onde ela estava. Para meu espanto, era uma cidade perto de onde eu vivi por meio ano, na Itália.

Como é possível os aspectos naturais de uma paisagem provocar uma memória? Eu perguntei para mim mesma, perplexa, enquanto eu assistia videos das outras duas cidades que eu vivi na minha vida, dando-me conta que eles também despertavam em mim o mesmo sentimento. E enquanto eu discutia o assunto apaixonadamente com meu companheiro, atravessando o Parque Ravenscourt de bicicleta – e imaginando se um dia eu me mudar de Londres, sentirei a reminiscência dos Plátanos que eu adoro tanto? – eu lembrei de quando eu fui para o Kew Gardens inverno passado. Não haviam muitas flores nos espaços do jardim botânico real naquela ocasião; as árvores estavam quase completamente secas, como versões assustadoras delas mesmas, o verde estava escuro e turvo, o ar estava gelado e constantemente rachando meus lábios, mas quando eu abri as imensas portas da Palm House, um ar quente gentilmente me abraçou e as grandes folhas verdes de múltiplas espécies tomaram conta da minha visão. Eu tirei meu casaco, fechei meus olhos e lá eu senti – o cheiro e o ar – por uma fração de segundo, eu estava de volta ao Brazil, caminhando na trilha da praia perto da minha antiga casa em um dos dias mais quentes de verão da ilha de Santa Catarina.

Mas não, aquilo não podia ser… eu estava apenas dentro de uma estufa de 1844 no Sudoeste de Londres onde plantas da America e da África são cultivadas com propósitos científicos. Há alguma coisa sobre esse sentimento que pode te transportar para outros lugares, deixando a sensação que a vida é uma ilusão, tão fácil de sonhar. Era aquela a resposta para minha questão então? As memórias que as plantas tem despertado dentro de mim são apenas uma ilusão? A realidade é nada mais que um sonho?

Acho que não. Há sempre alguma coisa a mais para ser compreendida. E enquanto eu escrevia essa crônica insistido em encontrar significado, Allan Watts praticamente sussurrou nos meus ouvidos “nós não viemos a este mundo; nós saímos dele, como as folhas de uma árvore”. E então eu entendi. Muitos de nós vivemos em uma cultura que separa a natureza a fim de a conquistar, ignorando a interdependência das coisas e eventos. Todos esses lugares, pedras, areia, poeira, ar, raízes, sol, árvores, plantas, mato, flores e reminiscências verdes não são apenas capazes de despertar uma memória dentro de nós – provocando a ilusão – eles simplesmente são a memória, como extensões da nossa própria mente. O mundo além da nossa pele pode ser apenas uma continuação nossa e por isso existem memórias flutuando por toda parte. E por mais que eu tente eu não consigo encontrar significado para essa possibilidade – a não ser por talvez poesia, magia e uma maravilhosa abstração.

J.P.A.

➳ Image: Vogue, May 1935.  Bibliothèque nationale de France, département Littérature et art

As Crônicas De Uma Mulher Selvagem nasceram da coincidência das folhas, dos sonhos e da potência das escritoras da alma. Se você quer acompanhar as palavras que seguem o instinto, os textos são publicados em Português e Inglês duas vezes por mês aqui. Saiba mais sobre elas aqui e assine minha lista de e-mails para receber elas no seu inbox 

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