The Ancient “Universities” of the World

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The Ancient Universities of the World

When I lived in Italy I literally cried seeing the frescoes and pillars of the Palazzo Bo in the University of Padua because I knew I was breathing the dusty particles of one of the ancient universities of the world. The point is that most of the travel guides mention that Padua is the fifth oldest university of the world (1222), behind the University of Bologna (1080), Oxford (1096), Salamanca (1164) and Cambridge (1209). However, this reference of mine was shaken when I discovered the existence of  Nãlandã Mahãvihara. Localized in the region of Magadha, now Bihar, in Índia, travellers and scholars looked for it between the 3rd and the 8th century as it was one of the most renowned institutions of higher education for its time and context. It was what many people call it nowadays: a “Buddhist University”, yet its curriculum was beyond spiritual teachings. As far as I researched, one could learn cultural studies, philosophy, art, astronomy, law, city planning, among other subjects there. How could I cry at the University of Padua without knowing the history of Nãlandã Mahãvihara? How can the historical guides not even mention this important educational place in their rankings? 

I had to make a little research to understand my surprise. I started questioning the word university, because it looked like a word that couldn’t exist in Asia in the context of Nãlandã Mahãvihara. I was correct. “University” is a word that derives from Latin and it means “a community of teachers and scholars” that began to be officially used to describe the European “places of instruction” towards the latter part of the 14th century. Once the universities were called universities they popped all over Europe. They also spread in other continents, connected to the mass production of printing, that in its turn started in a small shop in Mainz, Germany. In Latin American, for instance, the Universidad Autónoma de Santo Domingo was established in 1538 by Pope and the University de San Marcos was established in 1551 by the King of Spain. Meaning that the universities that are nowadays wider publicised to be the “ancient universities of the world” are part of a European system that, despite the medieval roots, flourished in the modern period.

I wanted to research more, amplifying this concept of “university”. I found in Morocco the University of al-Qarawiyyin established in 859 and considered by UNESCO to be the oldest continuously operating university of the world. The best part, it was funded by a woman, the princess of Tunisia Fatima al-Fahiri. In Egypt, the University of Al-Azhar, established in 970 with an Islamic curriculum that also included other teachings. In Pakistan, what is called the “Ancient Taxila University” was active from the 6th-century b.c. until the 5th century, when Buddhist teachings were held side by side with the law, hunt, medicine, art, among other disciplines.

You must be asking yourself: so the European universities are not the most ancient of the world? And I answer you: yes and no. The term “university” and the idea that today we have for what is an actual university was shaped in modernity. It would be odd to say that an institution of higher education as Nãlandã Mahãvihara was called university even before the word came into place – and in a language completely different from Sanskrit. However it is also odd to consider that the most ancient institutions of higher education are just the European ones since there is a diversity of other organisations much more ancient.

You must be asking yourself: so the European universities are not the most ancient in the world? And I answer you: yes and no. The term “university” and the idea that today we have for what is an actual university was shaped in modernity. It would be odd to say that an institution of higher education as Nãlandã Mahãvihara was called university even before the word came into place – and in a language completely different from Sanskrit. However, it is also odd to consider that the most ancient institutions of higher education are just the European ones since there is a diversity of other organisations much more ancient.

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As Universidades Mais Antigas Do Mundo

Quando eu morei na Itália eu chorei entre os afrescos e pilastras do Palazzo Bo na Universidade de Padua, porque eu estava respirando partículas de poeira de uma das universidades mais antigas do mundo, estabelecida em 1222. A questão é que a maioria dos guias de viagem mencionam que Padova é a quinta universidade mais antiga do mundo, atrás da Universidade de Bologna (1080), Oxford (1096), Salamanca (1164) e Cambridge (1209). Mas essa minha referência foi abalada quando eu descobri a existência de Nãlandã Mahãvihara. Localizada na antiga região de Magadha, atual Bihar, Índia, viajantes e estudantes a buscavam entre o século III até meados do século XVIII porque era uma das mais renomadas instituições de ensino superior para seu tempo e contexto. Era procurada por ser o que muitos a chamam hoje: uma “universidade budista”, embora seu currículo fosse além de ensinamentos espirituais. Até onde pesquisei, podia-se aprender ali estudos culturais, filosofia, arte, astronomia, legislação, planejamento de cidades, entre outros. Como pude desconhecer a história de Nãlandã Mahãvihara? Como podem os guias históricos sequer mencionarem essa importante instituição educacional nos seus rankings? 

Precisei fazer uma pequena pesquisa para entender minha surpresa. Comecei questionando a palavra universidade, porque me parecia ser uma palavra inexistente na Ásia no contexto de Nãlandã Mahãvihara. Estava certa, “Universidade” é uma palavra derivada do latim e significa “uma comunidade de professores e educandos” que começou a ser utilizada para denominar os “espaços de instrução” europeus no final do século XIV – antes disso o termo utilizado era “studium”. Logo, as universidades chamadas então de universidades emergiram por toda a Europa. Elas também se espalharam para outros continentes, estreitamente conectadas a emergente impressão de massas, que por sua vez começou numa pequena loja em Mainz, na Alemanha. Na América Latina, por exemplo, a Universidad Autónoma de Santo Domingo foi estabelecida em 1538 pelo Papa e a Universidad de San Marcos foi estabelecida em 1551 pelo rei da Espanha. Ou seja, as universidades que hoje são divulgadas como as “mais antigas do mundo” são parte de um sistema europeu que, apesar de suas raízes medievais, floresceram no período moderno.

Por isso, eu quis pesquisar mais, ampliando esse conceito de universidade. Encontrei no Marrocos, a Universidade de al-Qarawiyyin estabelecida no século XVIII e hoje considerada pela UNESCO a mais antiga universidade ainda em funcionamento do mundo. O melhor, foi fundada por uma mulher, a princesa da Tunisia Fatima al-Fahiri. No Egito, a Universidade de Al-Azhar, estabelecida no século IX com um currículo islâmico que também incluía outros ensinamentos. No Paquistão, o que é chamado de “Antiga Universidade de Taxila” funcionou entre o século VI a.c até o século V, onde ensinamentos budistas eram ensinados ao lado de legislação, medicina, caça, arte, entre outras matérias. 

Você deve a este ponto estar se perguntando: quer dizer que as universidades europeias não são as mais antigas do mundo? E eu respondo: sim e não. O termo “universidade” e a própria ideia que temos hoje de universidade tomou forma na modernidade. Seria um pouco esquisito dizer que uma instituição de educação de ensino superior como Nãlandã Mahãvihara pode ser chamada de universidade antes mesmo da palavra existir – e em uma língua completamente diferente do sânscrito. Porém também é esquisito considerar que as instituições de ensino superior mais antigas do mundo sejam apenas europeias visto que há uma diversidade de outras organizações muito mais antigas. Enquanto entendemos esse impasse, podemos refletir que temos um senso comum em relação a história que exclui a diversidade de outras histórias. Seria importante incluir na nossa visão de mundo que outros territórios também tiveram seus sistemas de educação sofisticados e significativos para seus contextos. Só temos a ganhar com esse pensamento, pois encontramos mais histórias para somar e diversificar nossos horizontes. Alargamos nossa visão do tempo. E sim, eu ainda vou conhecer Oxford e Cambridge, e provavelmente chorar novamente, mas sem dúvidas entenderei estas instituições como parte de uma história muito maior.

Ps. eu nem sequer estou mencionando aqui os espaços informais de educação, como Moray, no coração do Vale Sagrado do Peru. Isso é historia para outro texto.

References

  1. Raychauduri Majumdar, H.C. Raychaudhuri, and Kaukinkar Datta. An Advanced History of India. London, 1946
  2. UNESCO World Heritage List. 1980. Archaeological Site of Nalanda Mahavihara at Nalanda, Bihar. Retrieved 2016.
  3. The British Museum Collection, Nalanda, London, British Museum.
  4. The British Library Online Gallery, Statue of Buddha at Nalanda.1895. London. Retrieved 26 March 2009.
  5. UNESCO World Heritage List. 1980. Taxila: Brief Description. Retrieved 13 January 2007
  6. Abdou Moumouni, Nobuo Shimahara and Others (See All Contributors). History of Education. Encyclopaedia Britannica, June 26, 2019.
  7. Kumar, Pinto. Cultural Life at Nalanda University, 2010. 
  8. Chris Griffiths & Thomas Buttery. The world’s oldest centre of learning. BBC Travel, 2018.
  9. The Editors of Encyclopaedia Britannica. Al-Azhar University. Encyclopædia Britannica, inc. October 17, 2017

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